OS VENCEDORES DO III CONCURSO DE POESIA HABEAS LIBER/FD/UnB

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O III CONCURSO DE POESIA do Projeto Habeas Liber, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, se encerrou em 16 de dezembro de 2018 e já fez a premiação dos vencedores e das respectivas menções honrosas, revelando e incentivando promissores poetas e a cultura/literatura na Universidade.

A primeira fase do concurso se encerrou com a escolha pela Comissão Examinadora dos 20 poemas aptos a irem para votação no Facebook a partir de domingo 02 de dezembro de 2018. Até o dia 15 dezembro/18 o público participou da segunda fase escolhendo os poemas preferidos, mediante curtidas no facebook (https:/www.facebook.com/HabeasLiber).

O nível de qualidade dos 76 poemas cujas inscrições foram deferidas foi bastante elevado. Para a segunda fase, dos 20 poemas selecionados, a Comissão escolheu os seguintes poetas: Bruno P, Princesa Kari, Maria Fernanda, J. Eduardo, Samantha, Laquantic, René, LP, F.F., ClarinhaMar, Will, Bruna Souza, Ronypeterson, Tiago Rubo, Mário Agusto, Marcus Vinícius Pinheiro, Ezra Rhadarmant, Nanau, Thiago Inácio e Mariana Cardoso.

Ao final, o vencedor foi o estudante de Relações Institucionais da UnB, Tiago Rubo (1º Lugar), que aproveitou o evento para doar alguns livros seus ao Projeto. Em segundo lugar, Renata Teixeira, do Curso de Direito/UnB. Em terceiro, a estudante de Letras Clara Mota. Também foram agraciados com menções honrosas os poetas Maria Fernanda, Bruno Porto, Débora Santos e Willian Silva.

Poetas Vencedores

O evento da premiação teve a cobertura da TV UnB:

Eis os poemas premiados e seus respectivos autores:

Tiago Rubo 1º Lugar Relações Institucionais

1º Lugar – Tiago Marques Rubo – Relações Internacionais

A derrota do poeta

Se pesa a pena
Culpa, copiosa cena
Dos romances intensos
Segue assim sendo

Um poeta amante
Da letra distante
Da realidade, que quente
Arde e ressente

Poesia é não viver
É encontrar sem ter
Que sentir bafo
Suor, pelos,
E espinhas e cravos

Mas a palavra não faz
Não cria, não move
Não goza, não vive,
Não morre

Viver é melhor que sonhar
E se vivo está
Se sabe que a dor
É o preço de amar

Renata – Direito – 2º Lugar

2º Lugar – Renata da Silva Teixeira – Direito

Marcha das Mulheres

Corpos brancos, pardos, negros, desnudos é o que cobiçais!

Mulheres arrasadas, fracas, devastadas é o que alcançais!

Machucadas pelo ataque dos Animais

Arrancada com ímpeto sua inocência se vai

E ainda acha que não fez nada?!

Estamos juntas na Marcha!

Defloradas! Rasgada sua carne com desejo fug(ais)az

Desrespeitadas! Sofrem com atitude vor(ais)az

Delicadas peles trituradas se f(ais)az

Selvagem algoz com agressões mortais

E ainda assim a consciência não fica pesada?!

Estamos juntas na Marcha!

Lembranças diárias de dores infernais

Triste realidade de uma vida sem p(ais)az

Fingimento coletivo não aguento o que f(ais)az

Não importa o que dizem é tua culpa rap(ais)az!

Que nenhuma Mulher seja mais dilacerada

Estamos juntas na Marcha!

Malditos libidinosos infelizmente encontrais

Revestidas de sangue é o que provocais

Mulheres judiadas por obsessões fatais

Marido, amigo, padrasto e até pai!

Que nenhuma Mulher tenha mais a vida ceifada!

Estamos juntas na Marcha!

Mulheres humilhadas é o que se tornais? 

Superada a desonra não se rebaixai

Renovada suas forças cada vez mais

Liberdade conquistada grilhão que se cai

Herdai o tormento, mas não será maculada!

Estamos juntas na Marcha!

Sofre violência e ainda é julgada culpada!

Estamos juntas na Marcha!

É abusada e ainda é rotulada de safada!

Estamos juntas na Marcha!

Para que nenhuma Mulher seja mais estuprada!

Clara 3º lugar Letras

Estamos juntas na Marcha!

3º Lugar: Clara Nogueira Marinho – Letras

O Oceano do Mundo Concreto

Nada sei dizer sobre grandes egos

De grandes feitos meu corpo tem vão

Não me atrevo a contar do que sou cego

Nessa sombra feita clara ilusão

Nunca entendi, mas sempre me calaram

Minha sã poesia não diz de amor

Deste, todas as bocas já falaram

Crucifixo de corações, torpor

E do oceano que sobrevivi

Tão real que me dói imaginar

Mundo, fel de ódio num doce servir

Tua boca fala do vazio, teu ser

E meu oceano se deixa afogar

Na palavra que luta com o morrer

Menção Honrosa – Maria Fernanda Oliveira Pereira – Direito

Muro de Berlim

Atropelado pelo tempo

Vivo só em pensamento

Vai passando um vulto

Na multidão, oculto

Em ruelas esquecidas

E grandes avenidas

Ele vem e ressurge

Sempre feroz, ruge

Com seus velhos ideais

Cruza braços e sinais

Verdes ou vermelhos

Ignorando conselhos

Não desiste da utopia

Ainda quer o que queria

Um mundo perfeito

Pra ele, sem defeito

Tropeça mas não cai

E em seu curso vai

Esquecendo um muro

E o passado obscuro

Menção Honrosa – Bruno Porto Soares Oliveira – Psicologia

O Pedalar da Bicicleta

eu quero nunca ter pressa

e tocar todos os acordes do meu som

imaginar todos os sabores

e quem sabe amar por todas as cores

eu quero nunca ter pressa

e compreender a solidão

como um dos maiores infinitos,

com seus silêncios e seus mitos

eu quero nunca ter pressa

e aprender a sonhar

na terra das incertezas,

construir o meu lar

eu quero nunca ter pressa

nessa vida incessante

afinal, o que vale a gente sente:

a beleza de um instante

Débora – Menção Honrosa – Doutorado biologia

Menção Honrosa – Débora Silva Santos – Doutorado (IB – Instituto de Biologia)

O COMBATE

A noite inteira o poeta

Sentado, vira-se o rosto

A lutar com as palavras

Aceita o combate.

Escuta os brados que surgem, Oh Poeta!

Senta-te e vira o teu rosto a lutar

Com as palavras neste pedaço de papel.

A essência captada e sutil

Sem roteiro, não tem carne, nem sangue, mas a vida surgiu bem aqui.

Ó palavra, o ciclo do dia da vida,

O poeta calou-se, se rendeu

Sobrou só isso, leitor

É teu.

Wiilian Menção Honrosa Relações Internacionais

Menção Honrosa – Willian Silva de Oliveira Alves

Agradecimento

Aos que entendem.

Aos que não procuram heróis e vilões.

Aos que se entregam à angústia da noite e

à esperança do dia.

Aos que se dão ao ridículo de chorar

em locais públicos.

Aos que publicam suas fraquezas em verso.

Aos que contam as horas para os abraços e

perdem essas mesmas horas nos encontros.

Aos que querem muito dizer, e de tanto querer se engasgam, e

ainda assim dizem tudo com os olhos.

Aos que não pisam os insetos no caminho de casa, e

se riem com os cães.

Aos que vivem no presente-futuro para ter a chance

de escapar do presente-presente.

Aos que se compadecem e não julgam aqueles que blasfemam.

Aos que blasfemam.

Aos que entendem.

A vocês.

Especialmente a vocês.

Muito obrigado.